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Escalada na Bahia

Após onze anos morando em Recife, eu e minha companheira recebemos uma proposta de emprego na Bahia, e cá estamos, morando em Feira de Santana, 100km distante de Itatim!

Em meio ao caos de uma mudança (de casa, de cidade, de estado) e na expectativa do nascimento da nossa filha, já rolaram algumas escaladas legais por aqui, as quais compartilho com vocês nesse post.

No primeiro final de semana após chegarmos na Bahia, antes de arrumar qualquer bagunça de mudança, peguei o carro e dirigi até a meca, Itatim! Chegando lá fechei com o Marcelo os objetivos: sábado de tarde Ponta Aguda e domingo Morro do Crocodilo.

Seguimos de baixo de um sol de rachar pra Ponta Aguda, onde fui conhecer a primeira de uma sequência de novas vias abertas pelo Formiga e companhia na cidade: Central do Brasil (4°VI E3 150m). Esse nome faz menção ao filme que teve uma cena gravada exatamente onde fica a via.

A via é mista, há possibilidades de colocações móveis em algumas canaletas e buracos, outros lances são com chapeletas, até chegar em um grande diedro, já no terço final da parede, onde rolam alguns lances pouco mais delicados. Primeiro cume como morador da Bahia! Aquele visual único e depois uma caminhadinha de volta pra base.

No dia seguinte entramos na Efeito Trump (6° VIIa 120m E3), localizada no impressionante Morro do Crocodilo. Primeira enfiada fixa, com boa proteção, mas carente de agarras, lances bem técnicos e bem bonitos, daqueles que se respirar errado cai! Segunda enfiada começa vertical, em móvel, depois rola uma sequência linda de duas fendas largas, onde cabem alguns camalots tamanho 4 e 5, e lances de aderência pra dar aquela emoção. Terceira enfiada linda, chapas mais distantes, agarras melhores, algumas barrigas negativas pra passar, e a última enfiada totalmente em móvel, mantendo o grau da via bem constante na casa do VI grau.

No final de semana seguinte fui conhecer o setor chamado Monte Alto, ou Morro das Cobras, que a apenas 10 minutos de Feira de Santana. Antes de sermos expulsos pelo sol, conseguimos escalar as vias "Xingue", "Pega Ladrão", "Quase" e "Flores, entre 7a e 7b, destaque pra "Quase", linda via vertical com regletes e leitura exigente.

Mais uma semana de treino na casa do Juan em Salvador, e fui com o Marcel no Talhado, em Itatim, onde escalamos duas belas vias esportivas abertas pelo Chiquinho: "Chornoquitos Jubilados"(6sup) e "Lacas Voadoras"(7a). Depois coloquei as costuras no rac e entrei na "Faixa de Gaza" (8c), essa fazia parte das dívidas antigas, pois alguns anos atrás eu caí na última agarra, quando tentava o flash da via! Dessa vez vi que não foi tanto vacilo cair na última costura, pois o lance é de difícil leitura e os braços já estão muito bombados, mas dessa vez não teve queda, a cadena saiu, sacando as costuras! Pra finalizar o dia e não sair sem uma dívida, provei a Irmãos Metranca, um projeto (acho que é projeto ainda) de agarras mínimas, sem sucesso.

No fim de semana seguinte o Marcelo me mostrou uma bela via aberta pelo Elder: Jardim do Éden (ou do Élder)...5° VIIa A0 120m. Um crux no início e uma sequência lisa feita em artificial dão lugar à uma escalada delirante entre canaletas e chorreiras, são 120 metros de puro desfrute até o cume da Pedra Riscada de Itatim. Ainda deu tempo de provar mais uma do Elder: Cream Cracker (7a), que faz jus ao nome.

Aí veio o planejamento pro carnaval: Ibicoara, cidade da Chapada Diamantina que eu ainda não conhecia, escaladas super recomendadas, sete dias livres, e uma semana antes deixo cair uma chapa de quase 100kg no pé, inviabilizando qualquer escalada por quase 20 dias. O carnaval foi na chapada, mas apenas turistando.

Voltei pra Itatim assim que consegui calçar a sapatilha, e lá encontrei o Fafá, de Curitiba, seguimos pro Jararaca. Entramos na "Disciplina não ter, Calango nunca será" (8b), via que abri a alguns anos e gosto muito, depois provamos a Trapes e Tubes (9c), um lance exótico no começo, mais um lance duro, depois uma sequência mais branda pra chegar no crux, um bloco com uma passagem muito difícil pouco antes de costurar a parada, esse final não consegui isolar, mas to com a via na cabeça até hoje...Fafá ainda levou a cadena da Emerilator (9a) pra casa com apenas dois pegas.

No Morro do Enxadão existe um setor irado de esportivas, e um 8c clássico chamado Sãotanás, parece filme repetido, mas eu tinha caído chegando na parada da via na minha tentativa em flash anos atrás. Dessa vez passei o crux e...flap! A mão vazou do reglete enquanto eu dava uma respirada pra continuar. Subi de chapa em chapa redescobrindo cada lance, depois desci e encadenei, pagando mais uma antiga dívida por aqui.

Ponta Aguda com o Marcelo, mais uma via do Formiga, nessa ele tava inspirado! Deus e o Diabo (4° Vsup E3 D1), uma linha de ótimas agarras, com chapas só nas paradas, sendo a proteção intermediária móvel em buracos e fendas pequenas ao longo da via, coisas que Itatim nos proporciona!

O Morro do Crocodilo é mais ou menos uma pirâmide, só que dividida ao meio por uma grande chaminé, a via que fiz antes dava acesso ao cume da esquerda, dessa vez fizemos a "O Monstro" (6° VIIb 150m), via lindíssima, cinco estrelas, que acessa o cume da direita. Primeira enfiada fixa e técnica, mesmo estilo da Efeito Trump, depois vem o filé, um VI grau totalmente protegido em móvel, porém com escalada em agarras, boas em sua maioria, e uma inclinação levemente negativa, bem aérea! Depois segue sem maiores problemas pro cume.

Alguns km's a mais temos Igatú, o paraíso dos boulders! Depois de séculos sem escalar boulder deu pra fazer um bom volume no setor do lagarto e no corredor, onde rolou a cadena do Demorex, uma variante mais difícil do clássico Denorex. No último dia por lá, fui com o Rafa nas esportivas do labirinto, onde saiu a cadena em flash da emocionante "Cacimba Psicológica" (8a).

Perto da base do morro do Crocodilo em Itatim tem um bloquinho interessante onde havia algumas vias do Emerson (SE) e do Marcelo, abrimos mais duas vias por lá, "Coisas Laterais" (7a) e "Do Inferno ao Paraíso" (5sup móvel), dois clássicos que valem a visita, cada um no seu grau e estilo.

E nesse último fim de semana repeti com o Marcel a belíssima via "O Jardineiro" (6° VIIb 310m), pra lembrar o quanto ela é clássica! Ao menos cinco enfiadas na casa do sétimo grau, todas de qualidade excepcional. Começamos a escalar ás 6h30 e quatro horas depois estávamos no cume. Nesse dia usei minha Moccasym, sapata incrível!

No dia seguinte escalamos na Pedra do Sapo e no Morro do Talhado, onde provei a extensão da via CG atômica (8b), que saiu no flash sacando as costuras!

E ainda tem muita via pra escalar por aqui, sem falar nas possibilidades de conquistar coisas novas.

Agradeço à Santa Barbara Imports e à Five Ten Brasil pelo apoio nessa nova fase!

Boas escaladas a todos!!
Cauí Vieira

 

Foto da Capa: Cauí Vieira
Foto 2, foto 3: Eveline Sousa
Foto 4: Marcel Gama 
 

 

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